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Fundos STEP: um mal-entendido estratégico

Fundos STEP: um mal-entendido estratégico

Sempre que a Europa anuncia um novo instrumento estratégico, o debate instala-se, quase por reflexo, no lugar errado e mais previsível.

 

Há na atmosfera política e económica portuguesa um murmúrio familiar, um som que se assemelha ao abrir de uma torneira de financiamento: anuncia-se, com justo alarde, uma injeção monumental de mais de mil milhões de euros, no âmbito do Portugal 2030 e da nova vaga de Projetos de Tecnologias Estratégicas (STEP) da Comissão Europeia. Os números, impressionantes, ecoam nos corredores dos negócios. É, sem dúvida, uma maré cheia de oportunidades.

 

No entanto, o anúncio tornou-se, uma vez mais, num tema ligado a verbas, cronogramas e formulários de candidatura. É o reflexo de um mercado habituado a ciclos de financiamento e um movimento, longe de inocente, que revela um equívoco substancial sobre o que está em jogo.

 

Mais do que um novo pacote de subvenções, o programa STEP da Comissão Europeia representa uma alteração explícita na filosofia de financiamento público, onde a política de inovação europeia passou a ser «O» instrumento de soberania. O objetivo é assegurar capacidades industriais críticas, reduzir dependências e consolidar cadeias de valor que garantam a resiliência e autonomia da Europa.

 

Surge, por contrapartida, uma desconexão curiosa. Enquanto a narrativa oficial fala em soberania tecnológica, a conversa prática tende a ser capturada por uma linguagem de procedimento. As primeiras análises parecem, por vezes, mais preocupadas em traduzir esta ambição continental numa simples checklist de elegibilidade. E há quem reduza este exercício geoestratégico a uma série de campos a preencher, como se a complexidade de reposicionar uma economia se resolvesse com a mestria no preenchimento de formulários. São os habilidosos dos avisos de concurso, cujo talento inegável pode, paradoxalmente, ofuscar o horizonte para onde esses querem apontar.

 

Esta abordagem é, além de redutora, um erro tático. Encarar o STEP como mais um exercício burocrático é desconsiderar o que o torna singular: trata-se de uma orientação estratégica e não de um mecanismo de distribuição de fundos. Um projeto com selo STEP é um projeto declarado estratégico para os interesses europeus e esse reconhecimento deve ter um peso que transcenda a linha orçamental nacional.

 

Para Portugal, este momento deveria ser menos sobre a ansiedade da deadline e mais sobre um exercício de posicionamento nacional. Que capacidades únicas podemos desenvolver que se alinhem com estas prioridades continentais? Que consórcios podemos formar que sejam verdadeiros nós numa rede europeia de Inovação? Que cadeias de valor nacionais e europeias conseguimos blindar?

 

Um reposicionamento começa, muitas vezes, por decisões discretas: rever projetos à luz das cadeias de valor europeias a que pertencem, construir consórcios que façam sentido além do aviso de concurso, aceitar que nem toda a ambição se traduz numa candidatura imediata. Em alguns casos, a estratégia deverá passar mais por abdicar do que por forçar.

 

A ironia inevitável é que estamos perante um mecanismo desenhado para nos fazer pensar a longo prazo e em grande escala, e a reação imediata de muitos é a de o enfiar nas gavetas habituais da gestão de subvenções. O foco desloca-se para parecer que se domina o processo e não para entender o seu propósito.

 

Mas a barreira é, na verdade, cultural e não processual. Porque exige que os nossos líderes procurem uma arquitetura de visão e não se contentem com a lógica da mera gestão de fundos, sob pena de acabarem com propostas impecavelmente formatadas, mas cuja ambição não vá além dos limites do próprio aviso.

 

No fundo, tudo se resume à capacidade de o ecossistema converter potencial em estratégia. Os concursos vão abrir. Os prazos vão correr. E a avaliação real será feita daqui a uma década, quando percebermos se este instrumento serviu para financiar mais do mesmo ou para nos tornarmos um ator mais relevante na carta tecnológica da Europa. Se não mudarmos a conversa do “como se preenche” para o “porque se constrói”, arriscamo-nos a transformar o STEP numa oportunidade desperdiçada, ou, pior ainda, num mal-entendido estratégico.

 

Daniela Branco, Business and Innovation Ecosystem Manager 

 

Texto publicado no Jornal ECO

Valorização Salarial: As Novas Regras e Oportunidades

Valorização Salarial: As Novas Regras e Oportunidades

O Orçamento de Estado de 2025 trouxe uma mudança significativa no incentivo à valorização salarial, tornando-o mais flexível e vantajoso para as empresas. Esta alteração legislativa não foi apenas um ajuste técnico: representou uma oportunidade estratégica para reforçar políticas de remuneração justa e, ao mesmo tempo, otimizar benefícios fiscais.

O que mudou no exercício fiscal de 2025?

 

  1. Majoração mais atrativa 

    A majoração aplicável aos encargos salariais subiu de 150% para 200%. Na prática, isto significa que as empresas podem reconhecer como benefício fiscal a totalidade do aumento concedido aos colaboradores. Um incentivo claro para quem apostou na valorização do capital humano.

  2. Aumento mínimo mais acessível 

    O requisito para beneficiar do regime tornou-se mais flexível: o aumento mínimo necessário desceu de 5,0% para 4,7%, permitindo que mais empresas possam aderir sem comprometer a sustentabilidade financeira.

  3. Fim do conceito de Leque Salarial 

    O antigo critério baseado na diferença entre os mais e menos remunerados é abolido. Em substituição, surge uma regra mais equilibrada: o aumento médio dos trabalhadores com remuneração inferior ou igual à média anual da empresa deve ser igualmente, no mínimo, 4,7%. Uma medida que reforça a equidade interna.

  1. Limite máximo mais elevado 

    O montante máximo dos encargos majoráveis aumentou de 4 para 5 vezes a Remuneração Mensal Mínima Garantida, perfazendo 4.350,00 € por trabalhador. Um sinal claro de maior abrangência e maior impacto no benefício fiscal passível de obtenção.

  1. Alterações no IRCT 

    A elegibilidade dos Instrumentos de Regulamentação Coletiva de Trabalho (IRCT) passa a restringir-se à definição jurídico-laboral prevista no Código do Trabalho, abolindo a equiparação às portarias de extensão. Esta mudança exige maior atenção na garantia de cumprimento e enquadramento de cada entidade.

 

Porquê aproveitar esta oportunidade?

Estas alterações não são apenas técnicas: refletem uma política pública orientada para reduzir desigualdades salariais e incentivar práticas empresariais responsáveis. Para as empresas, é o momento ideal para alinhar estratégias de remuneração com benefícios fiscais, reforçando a competitividade e a retenção de talento.
O orçamento de estado de 2025 trouxe um quadro mais flexível e vantajoso para quem valoriza os seus colaboradores, tendo agora as empresas a possibilidade de converter os aumentos salariais realizados em benefícios fiscais para o exercício fiscal. Está a sua empresa preparada para transformar estas mudanças em oportunidades?
IRC: Alterações à Modelo 22 para 2025

IRC: Alterações à Modelo 22 para 2025

Alterações à Modelo 22 e Anexos para 2025: Principais Novidades Fiscais 

 

O Despacho n.º 320/2026 introduz um conjunto alargado de atualizações à Modelo 22 e respetivos anexos, aplicáveis ao período fiscal de 2025. Estas alterações decorrem sobretudo do Orçamento do Estado para 2025 (Lei n.º 45A/2024), bem como dos Orçamentos Regionais dos Açores e da Madeira e do recente pacote de simplificação fiscal aprovado pelo DecretoLei n.º 49/2025. 

 

As novas disposições têm impacto transversal nas empresas, com destaque para a redução das taxas de IRC, simplificação declarativa e alterações relevantes nos benefícios fiscais. 

 

Redução das Taxas de IRC Entra em Vigor em 2025

 

A partir do próximo exercício, as empresas beneficiarão de uma descida geral da carga fiscal em sede de IRC. As principais mudanças incluem: 

  • Taxa geral de IRC baixará de 21% para 20%. 
  • PME e Small Mid Caps passam a aplicar uma taxa de 16% sobre os primeiros €50.000 de matéria coletável. 

 

A medida visa reforçar a competitividade das empresas com atividade em território nacional. 

 

Ajustes na Tributação Autónoma e Clarificações Relevantes

 

Redução das taxas sobre viaturas 

 

As tributações autónomas aplicáveis a viaturas sofrem uma redução de 0,5 p.p., acompanhada pela atualização dos escalões. O alargamento dos limites contribui para uma diminuição do esforço fiscal da maioria das empresas. 

 

Suspensão do agravamento em caso de prejuízo fiscal 

 

Mantém-se, em 2025, a suspensão do agravamento de +10 p.p. nas tributações autónomas quando se verifiquem as seguintes condições: 

  • Lucro tributável em pelo menos um dos três exercícios anteriores; 
  • Cumprimento das obrigações declarativas nos dois anos anteriores; ou 
  • Empresa em início de atividade (primeiros dois períodos de tributação). 

 

Despesas de representação deixam de ser tributadas 

 

Os encargos com espetáculos e eventos oferecidos a clientes ou fornecedores passam a estar excluídos de tributação autónoma, alargando o conjunto de despesas consideradas relevantes para fins comerciais. 

 

Regiões Autónomas Reduzem Taxas em 2025

 

Nos Açores e Madeira, as empresas vão também beneficiar de reduções adicionais: 

  • Taxa geral de IRC regional: 14% (antes 14,7%). 
  • PME e Small Mid Caps dos setores agrícola, comercial ou industrial aplicam taxas de 11,2% (antes 11,9%) sobre os primeiros €50.000. 

 

Estas medidas reforçam o enquadramento fiscal competitivo das regiões autónomas. 

 

Modelo 22: Simplificação e Reformulação dos Anexos 

Anexo C: Regime Tonnage Tax 

 

O anexo foi reformulado para se adequar ao regime especial de transporte marítimo (DL 92/2018).  Entre as novidades estão novos campos (6A, 7C, 8C, 9C e 10C) que permitem um preenchimento mais intuitivo e sistematizado, mantendo-se a coleta fixada em 20%. 

 

Anexo D: Alterações com Forte Impacto nos Benefícios Fiscais 

 

ICE – Incentivo à Capitalização das Empresas 

 

O regime passa a apresentar: 

  • Spread único de 2 p.p. para todas as empresas; 
  • Majoração do benefício aumentada para 50%. 

 

A simplificação elimina distinções entre microempresas, PME e grandes empresas. 

 

Campo 436 – Atualização dos Critérios 

 

O despacho introduz novas regras: 

  • Majoração passa para 100% 
  • Aumento salarial mínimo: ≥ 4,7% da retribuição base 
  • Limite por trabalhador: 5 × RMMG (€4.350) 

 

Campo 442 – Exclusão tributária (Art.º 24.ºA do EBF) 

 

Este novo campo regista a exclusão de tributação entre 2,5% e 10% dos rendimentos, dependendo da percentagem de ativos elegíveis. 

 

Exemplo: Uma empresa com €10.000 de rendimentos distribuídos e investimento entre 10% e 15% em ativos elegíveis deverá declarar uma exclusão de €500 (5%). 

 

Campo 443 – Rendimentos prediais isentos 

 

Devem constar rendimentos de arrendamento para habitação permanente isentos ao abrigo do art.º 74.ºA, válidos até 31 de dezembro de 2029. 

 

Campo 444 – Seguros de saúde 

 

Reporta a majoração dos gastos com seguros de saúde prevista no art.º 43.º do IRC. 

 

Jéssica Paulo, Consultant

Portugal 2030: Cerca de 3,9 mil M€ serão colocados a concurso nos próximos meses

Portugal 2030: Cerca de 3,9 mil M€ serão colocados a concurso nos próximos meses

A Comissão Interministerial do Portugal 2030 aprovou, através da Deliberação CIC n.º 1/2026/PL, a atualização do Plano Anual de Avisos. Este planeamento, que integra também o FAMI – Fundo para o Asilo, a Migração e a Integração, permite aos potenciais beneficiários antecipar oportunidades de financiamento e preparar investimentos com maior previsibilidade e transparência.

 

3,9 mil milhões de euros para apoiar projetos em todo o país

 

Entre janeiro e dezembro de 2026, está prevista a abertura de 220 Avisos, que irão mobilizar cerca de 3,9 mil milhões de euros em fundos europeus, distribuídos por várias regiões e áreas de intervenção, incluindo:

  • Economia e inovação
  • Inclusão social e qualificação
  • Ambiente e sustentabilidade
  • Mar e território

 

Os programas com maior dotação financeira são:

  • Compete 2030: ~1,3 mil M€
  • Pessoas 2030: ~1,1 mil M€
  • Sustentável 2030: >920 M€

 

Áreas prioritárias de investimento

 

Os concursos previstos abrangem um conjunto diversificado de áreas estratégicas, como:

  • Inovação produtiva
  • I&D nas áreas digital e biotecnológica
  • Infraestruturas e modernização tecnológica
  • Descarbonização e eficiência energética
  • Mobilidade sustentável
  • Gestão da água e proteção de recursos hídricos

 

Montantes a concurso por programa

 

Programa Avisos Montante
Pessoas 2030 28 1.098.712.300€
Compete 2030 16 1.345.935.000€
Sustentável 2030 29 907.469.067€
Mar 2030 16 14.363.598€
Norte 2030 12 40.071.680€
Centro 2030 12 91.355.926€
Lisboa 2030 5 23.315.000€
Alentejo 2030 42 81.103.881€
Algarve 2030 20 45.569.000€
Açores 2030 22 114.350.000€
Madeira 2030 27 87.760.000€
PAT 2030 1 1.500.000€
FAMI 2030 5 17.354.388€

 

Primeiro quadrimestre trará concursos de grande escala

 

De janeiro a abril, destacam-se avisos particularmente relevantes nos programas Compete 2030 e Sustentável 2030, incluindo:

  • STEP – Inovação Produtiva (Energia): 400 M€
  • STEP – I&D&I Empresarial (Energia): 115 M€
  • STEP – Inovação Produtiva (Digital e Biotecnologia): 401 M€
  • STEP – I&D&I Empresarial (Digital e Biotecnologia): 210 M€
  • Avisos para projetos estruturantes de eficiência energética e mobilidade sustentável

 

Só em janeiro, os quatro avisos do Compete 2030 representam mais de 94% do investimento mensal, totalizando 1.115 M€.

 

Um instrumento chave para o planeamento dos beneficiários

 

Até ao final de 2025, o Portugal 2030 já tinha colocado a concurso cerca de 13,5 mil milhões de euros, o equivalente a 64% da dotação global do programa.

 

A atualização regular do Plano Anual de Avisos, realizada de quatro em quatro meses, assegura maior capacidade de planeamento para empresas, entidades públicas e organizações do terceiro setor, fornecendo uma visão clara das oportunidades de financiamento disponíveis nos 12 meses seguintes.

Tabelas IRS: alterações garantem isenção mensal até 920 euros em 2026

Tabelas IRS: alterações garantem isenção mensal até 920 euros em 2026

Já estão disponíveis no Portal das Finanças as novas tabelas de retenção na fonte do IRS para 2026. As alterações garantem isenção total de tributação para rendimentos até 920 euros mensais e reduzem as taxas de retenção para a maioria dos trabalhadores. As empresas devem aplicar as novas tabelas já a partir de janeiro, sendo obrigatória a correção em fevereiro caso não o façam.

 

Principais novidades em 2026

  • Isenção até 920 € brutos mensais para trabalhadores e pensionistas.
  • Redução das taxas de retenção nos escalões intermédios (2.º ao 5.º).
  • Atualização dos limites dos nove escalões em 3,51%.
  • Aumento do mínimo de existência para 12.880 € anuais, reforçando a proteção dos rendimentos mais baixos.

 

Impacto para as empresas com as novas tabelas IRS

Todas as entidades empregadoras, empresas, serviços públicos, autarquias, IPSS, devem aplicar as novas tabelas já em janeiro. Caso não o façam, terão de corrigir os valores em fevereiro, conforme previsto no Código do IRS.

 

Quanto vai ficar a mais no bolso dos trabalhadores?

Com as novas tabelas, a retenção mensal será mais baixa para a maioria dos contribuintes. Exemplos práticos:

  • Salário de 1.000 €: retenção desce de 56 € para 35 €.
  • Salário de 1.200 €: retenção passa de 107 € para 96 € (solteiro sem filhos).
  • Salário de 1.600 €: retenção baixa 13 €, ficando nos 192 €.
  • Salário de 2.500 €: redução de 21 €, para 471 €.
  • Salário de 3.500 €: menos 22 €, ficando nos 857 €.

 

A poupança mensal depende da situação familiar e do número de dependentes, mas a tendência é clara: mais rendimento disponível ao longo do ano.

5 Momentos-chave que marcaram a Europa em 2025

5 Momentos-chave que marcaram a Europa em 2025

Em 2025, a União Europeia manteve-se firme nos seus princípios e prioridades. Num contexto global desafiante, o foco esteve no que realmente importa: aproveitar os pontos fortes do bloco, defender os valores que nos unem e garantir que os cidadãos são apoiados todos os dias. Este compromisso contínuo reflete-se em decisões estratégicas e ações concretas que marcaram o ano e reforçaram a posição da Europa no mundo.

 

1. Economia e Empregos

 

Este ano, a União Europeia trabalhou para transformar a Europa num continente onde pessoas e empresas possam prosperar. Com a nova bússola da competitividade, foi traçado um roteiro ambicioso para impulsionar a economia nos próximos cinco anos. Entre as medidas, destacam-se ações para facilitar a atividade empresarial, reduzindo encargos administrativos para agricultores, lojistas e pequenas empresas. Foram propostos 10 pacotes de simplificação que, quando implementados, irão cortar burocracia no valor estimado de 11,9 mil milhões de euros. Além disso, foi apresentado um Roteiro para Competências de Qualidade, acompanhado de novas propostas nas áreas da educação e da formação. A Europa já tem talento, no entanto o objetivo é garantir que os europeus adquiram as competências necessárias para enfrentar os desafios do futuro.

 

2. Investimento em Inteligência Artificial

Para aproveitar todo o potencial da Inteligência Artificial em benefício das pessoas e da economia europeia, foram lançadas iniciativas estratégicas para posicionar a Europa como um centro global de inovação em IA. Foi assumido o compromisso de investir até 200 mil milhões de euros e definidos planos para criar 19 novas fábricas de IA, destinadas a apoiar startups, a indústria e a comunidade científica. Estas medidas visam acelerar a investigação, fomentar a competitividade e garantir que a Europa lidera na adoção responsável e inovadora da IA.

3. Atração de Talento Científico

 

A Europa oferece carreiras de excelência, liderança científica, qualidade de vida e liberdade académica. Com um financiamento de 500 milhões de euros, foi lançada a iniciativa Choose Europe, criada para atrair investigadores de renome mundial para a União Europeia. Os resultados já são visíveis: em menos de 12 meses, os programas de investigação da UE registaram um número recorde de candidaturas internacionais, reforçando a posição da Europa como polo global de conhecimento e inovação.

 

4. Transição Energética e Sustentabilidade

 

A União Europeia intensificou os esforços para cumprir os seus objetivos climáticos, aprovando uma nova meta ambiciosa: reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em 90% até 2040. Este ano, quase metade da energia consumida na Europa já provém de fontes renováveis. Graças ao Pacto da Indústria Limpa (ou Clean Industrial Deal), existe um plano sólido para acelerar a transição energética e impulsionar as fontes de energia limpa nos próximos anos. A pensar no futuro, foi igualmente lançada a primeira estratégia europeia de preparação, destinada a garantir que todos, cidadãos, empresas e instituições, estejam prontos para enfrentar o inesperado.

 

5. Global Gateway e Energias Renováveis

 

Em 2025, a iniciativa Global Gateway manteve-se como um pilar para fortalecer economias em todo o mundo. Um exemplo foi a campanha «Scaling Up Renewables in Africa», liderada pela UE ao longo de um ano, que mobilizou mais de 15,1 mil milhões de euros para levar energia renovável às famílias africanas. Já no comércio internacional, a Europa concluiu negociações com México, Indonésia e Mercosul, abrindo novas oportunidades para as empresas europeias. Em julho, alcançaram um acordo com os Estados Unidos, e registaram avanços com Índia, Malásia e Emirados Árabes Unidos, aproximando-nos de parcerias que promovem emprego e crescimento sustentável.

 

A União Europeia está a alinhar políticas para acelerar a competitividade, a inovação tecnológica e a transição sustentável. Estas iniciativas não são apenas grandes números ou metas ambiciosas, são sinais claros de que o financiamento europeu está a evoluir para apoiar projetos com impacto real, desde a digitalização e inteligência artificial até à descarbonização industrial e à internacionalização em energia.

 

Para empresas e centros de investigação, isto significa que o momento de agir é agora: compreender estas tendências, antecipar requisitos e preparar projetos que respondam às prioridades europeias. Mais do que captar fundos, trata-se de posicionar-se para liderar a transformação, tecnológica, ambiental e social, que marcará a próxima década.

 

IP BOX e Propriedade Intelectual na Indústria Automóvel em Portugal

IP BOX e Propriedade Intelectual na Indústria Automóvel em Portugal

O setor automóvel europeu, enfrenta desafios sem precedentes ao nível da concorrência de outras geografias, de restrições em termos de normas ambientais, os quais geram impactos negativos na capacidade instalada, e respetivos postos de trabalho, neste que é o pilar europeu industrial na atualidade.

 

Para responder a este paradigma, a Indústria está a desenvolver projetos de I&D sem precedentes, por forma a garantir produtos ambientalmente alinhados com as exigências europeias, mas que confiram custos reduzidos de produção, apesar dos elevados padrões qualitativos que o cliente europeu espera, os quais criam obrigatoriamente, propriedade intelectual associada.

 

A indústria automóvel, sendo um dos pilares da economia portuguesa, não é alheia a este paradigma. Esta representa milhares de empregos e uma fatia significativa das exportações nacionais. Em 2024, o setor atingiu 42,6 mil milhões de euros em faturação e gerou mais de 167 mil postos de trabalho, com 87,6% da produção destinada à exportação. Este setor está em plena transformação, impulsionado pela transição energética, digitalização e novas exigências ambientais, o que coloca a Investigação e Desenvolvimento (I&D) no centro da sua estratégia.

 

A nível nacional, temos, pois, duas áreas distintas, a saber, os 4 fabricantes de veículos (OEM), nomeadamente a Volkswagen Autoeuropa (Palmela), Stellantis (Mangualde), Mitsubishi Fuso (Tramagal), e Toyota Caetano (Ovar), a par de um ecossistema robusto de fornecedores e centros de engenharia, incluindo empresas como Bosch, Volkswagen Digital Solutions, Mercedes, BMW (Critical Techworks), Daimler e Continental. Além disso, existem 53 centros de engenharia dedicados à mobilidade e automação, reforçando a posição do país como hub tecnológico na Europa.

 

A Importância da Propriedade Intelectual (PI)

 

A inovação só gera valor quando está protegida. A Propriedade Intelectual – que inclui patentes, marcas, desenhos industriais e segredos comerciais – é essencial para garantir retorno sobre os investimentos em I&D.

 

Ao nível do contexto específico da Indústria Automóvel em Portugal, o investimento em PI, promove diversas mais valias relevantes: 1) As Patentes protegem o investimento em I&D impedindo a replicação de soluções; 2) Permite-se valorizar os Ativos Intangíveis, robustecendo financeiramente o setor; 3) Promove licenciamento e consequente monetização; 4) Promover a proteção legal na entrada em mercados externos.

 

IP BOX

 

O “IP BOX”, apresenta-se como um regime fiscal aplicável aos rendimentos de direito de autor e direitos de propriedade industrial, e tem como objetivo de estimular o investimento em I&D, através da atribuição de benefícios fiscais que influenciem de forma positiva a criação e desenvolvimento de ativos intangíveis, tais como patentes e outros direitos de propriedade industrial/intelectual.

 

Em termos nacionais, o regime de Patent Box encontra-se balizado no artigo 50.º-A do CIRC, que determina o mesmo como um output tax incentive, ou seja, um incentivo fiscal à exploração de rendimentos provenientes de patentes e outros ativos de propriedade intelectual.

 

O regime “IP BOX”, teve início em 2016 para rendimentos obtidos através da cedência de Patentes, Modelos de Utilidade e Desenhos Industriais.

 

Importa frisar que, em termos de critérios de Elegibilidade, o Patent Box apresenta um conjunto de condições específicas que devem ser acauteladas, e para as quais a consultora deve perfeitamente familiarizada, a saber:

 

  1. O cessionário que utilize os direitos cedidos, deve centrar a sua atividade no contexto de natureza comercial, industrial ou agrícola
  2. Os resultados não se materializem na entrega de bens ou prestações de serviços que originem gastos fiscalmente dedutíveis na entidade cedente ou em sociedade que com esta esteja integrada num grupo de sociedades
  3. Não ser uma entidade residente em país, território ou região com um regime fiscal claramente mais favorável
  4. Dispor de registos contabilísticos que permitam identificar os gastos e perdas incorridos ou suportados para a realização das atividades de investigação e desenvolvimento diretamente imputáveis ao direito objeto de cessão ou utilização temporária.

 

Na FI GROUP, desde 2020 que abordamos a fileira do setor Indústria, com expertise na preparação, implementação e quantificação deste benefício, possibilitando apoiar a competitividade nacional e, paralelamente a criação de propriedade intelectual nacional, valorizando este setor, que é um dos setores com maior pendor exportador e concorrencial.

 

As empresas mais rápidas vão “comer” as lentas

As empresas mais rápidas vão “comer” as lentas

A maior ameaça não é a inteligência artificial. A maior ameaça é a lentidão artificial. São as regras internas, a burocracia e o medo de arriscar que vão tirar relevância às empresas.

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