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Valorização Salarial: As Novas Regras e Oportunidades

Valorização Salarial: As Novas Regras e Oportunidades

O Orçamento de Estado de 2025 trouxe uma mudança significativa no incentivo à valorização salarial, tornando-o mais flexível e vantajoso para as empresas. Esta alteração legislativa não foi apenas um ajuste técnico: representou uma oportunidade estratégica para reforçar políticas de remuneração justa e, ao mesmo tempo, otimizar benefícios fiscais.

O que mudou no exercício fiscal de 2025?

 

  1. Majoração mais atrativa 

    A majoração aplicável aos encargos salariais subiu de 150% para 200%. Na prática, isto significa que as empresas podem reconhecer como benefício fiscal a totalidade do aumento concedido aos colaboradores. Um incentivo claro para quem apostou na valorização do capital humano.

  2. Aumento mínimo mais acessível 

    O requisito para beneficiar do regime tornou-se mais flexível: o aumento mínimo necessário desceu de 5,0% para 4,7%, permitindo que mais empresas possam aderir sem comprometer a sustentabilidade financeira.

  3. Fim do conceito de Leque Salarial 

    O antigo critério baseado na diferença entre os mais e menos remunerados é abolido. Em substituição, surge uma regra mais equilibrada: o aumento médio dos trabalhadores com remuneração inferior ou igual à média anual da empresa deve ser igualmente, no mínimo, 4,7%. Uma medida que reforça a equidade interna.

  1. Limite máximo mais elevado 

    O montante máximo dos encargos majoráveis aumentou de 4 para 5 vezes a Remuneração Mensal Mínima Garantida, perfazendo 4.350,00 € por trabalhador. Um sinal claro de maior abrangência e maior impacto no benefício fiscal passível de obtenção.

  1. Alterações no IRCT 

    A elegibilidade dos Instrumentos de Regulamentação Coletiva de Trabalho (IRCT) passa a restringir-se à definição jurídico-laboral prevista no Código do Trabalho, abolindo a equiparação às portarias de extensão. Esta mudança exige maior atenção na garantia de cumprimento e enquadramento de cada entidade.

 

Porquê aproveitar esta oportunidade?

Estas alterações não são apenas técnicas: refletem uma política pública orientada para reduzir desigualdades salariais e incentivar práticas empresariais responsáveis. Para as empresas, é o momento ideal para alinhar estratégias de remuneração com benefícios fiscais, reforçando a competitividade e a retenção de talento.
O orçamento de estado de 2025 trouxe um quadro mais flexível e vantajoso para quem valoriza os seus colaboradores, tendo agora as empresas a possibilidade de converter os aumentos salariais realizados em benefícios fiscais para o exercício fiscal. Está a sua empresa preparada para transformar estas mudanças em oportunidades?
IRC: Alterações à Modelo 22 para 2025

IRC: Alterações à Modelo 22 para 2025

Alterações à Modelo 22 e Anexos para 2025: Principais Novidades Fiscais 

 

O Despacho n.º 320/2026 introduz um conjunto alargado de atualizações à Modelo 22 e respetivos anexos, aplicáveis ao período fiscal de 2025. Estas alterações decorrem sobretudo do Orçamento do Estado para 2025 (Lei n.º 45A/2024), bem como dos Orçamentos Regionais dos Açores e da Madeira e do recente pacote de simplificação fiscal aprovado pelo DecretoLei n.º 49/2025. 

 

As novas disposições têm impacto transversal nas empresas, com destaque para a redução das taxas de IRC, simplificação declarativa e alterações relevantes nos benefícios fiscais. 

 

Redução das Taxas de IRC Entra em Vigor em 2025

 

A partir do próximo exercício, as empresas beneficiarão de uma descida geral da carga fiscal em sede de IRC. As principais mudanças incluem: 

  • Taxa geral de IRC baixará de 21% para 20%. 
  • PME e Small Mid Caps passam a aplicar uma taxa de 16% sobre os primeiros €50.000 de matéria coletável. 

 

A medida visa reforçar a competitividade das empresas com atividade em território nacional. 

 

Ajustes na Tributação Autónoma e Clarificações Relevantes

 

Redução das taxas sobre viaturas 

 

As tributações autónomas aplicáveis a viaturas sofrem uma redução de 0,5 p.p., acompanhada pela atualização dos escalões. O alargamento dos limites contribui para uma diminuição do esforço fiscal da maioria das empresas. 

 

Suspensão do agravamento em caso de prejuízo fiscal 

 

Mantém-se, em 2025, a suspensão do agravamento de +10 p.p. nas tributações autónomas quando se verifiquem as seguintes condições: 

  • Lucro tributável em pelo menos um dos três exercícios anteriores; 
  • Cumprimento das obrigações declarativas nos dois anos anteriores; ou 
  • Empresa em início de atividade (primeiros dois períodos de tributação). 

 

Despesas de representação deixam de ser tributadas 

 

Os encargos com espetáculos e eventos oferecidos a clientes ou fornecedores passam a estar excluídos de tributação autónoma, alargando o conjunto de despesas consideradas relevantes para fins comerciais. 

 

Regiões Autónomas Reduzem Taxas em 2025

 

Nos Açores e Madeira, as empresas vão também beneficiar de reduções adicionais: 

  • Taxa geral de IRC regional: 14% (antes 14,7%). 
  • PME e Small Mid Caps dos setores agrícola, comercial ou industrial aplicam taxas de 11,2% (antes 11,9%) sobre os primeiros €50.000. 

 

Estas medidas reforçam o enquadramento fiscal competitivo das regiões autónomas. 

 

Modelo 22: Simplificação e Reformulação dos Anexos 

Anexo C: Regime Tonnage Tax 

 

O anexo foi reformulado para se adequar ao regime especial de transporte marítimo (DL 92/2018).  Entre as novidades estão novos campos (6A, 7C, 8C, 9C e 10C) que permitem um preenchimento mais intuitivo e sistematizado, mantendo-se a coleta fixada em 20%. 

 

Anexo D: Alterações com Forte Impacto nos Benefícios Fiscais 

 

ICE – Incentivo à Capitalização das Empresas 

 

O regime passa a apresentar: 

  • Spread único de 2 p.p. para todas as empresas; 
  • Majoração do benefício aumentada para 50%. 

 

A simplificação elimina distinções entre microempresas, PME e grandes empresas. 

 

Campo 436 – Atualização dos Critérios 

 

O despacho introduz novas regras: 

  • Majoração passa para 100% 
  • Aumento salarial mínimo: ≥ 4,7% da retribuição base 
  • Limite por trabalhador: 5 × RMMG (€4.350) 

 

Campo 442 – Exclusão tributária (Art.º 24.ºA do EBF) 

 

Este novo campo regista a exclusão de tributação entre 2,5% e 10% dos rendimentos, dependendo da percentagem de ativos elegíveis. 

 

Exemplo: Uma empresa com €10.000 de rendimentos distribuídos e investimento entre 10% e 15% em ativos elegíveis deverá declarar uma exclusão de €500 (5%). 

 

Campo 443 – Rendimentos prediais isentos 

 

Devem constar rendimentos de arrendamento para habitação permanente isentos ao abrigo do art.º 74.ºA, válidos até 31 de dezembro de 2029. 

 

Campo 444 – Seguros de saúde 

 

Reporta a majoração dos gastos com seguros de saúde prevista no art.º 43.º do IRC. 

 

Jéssica Paulo, Consultant

Portugal 2030: Cerca de 3,9 mil M€ serão colocados a concurso nos próximos meses

Portugal 2030: Cerca de 3,9 mil M€ serão colocados a concurso nos próximos meses

A Comissão Interministerial do Portugal 2030 aprovou, através da Deliberação CIC n.º 1/2026/PL, a atualização do Plano Anual de Avisos. Este planeamento, que integra também o FAMI – Fundo para o Asilo, a Migração e a Integração, permite aos potenciais beneficiários antecipar oportunidades de financiamento e preparar investimentos com maior previsibilidade e transparência.

 

3,9 mil milhões de euros para apoiar projetos em todo o país

 

Entre janeiro e dezembro de 2026, está prevista a abertura de 220 Avisos, que irão mobilizar cerca de 3,9 mil milhões de euros em fundos europeus, distribuídos por várias regiões e áreas de intervenção, incluindo:

  • Economia e inovação
  • Inclusão social e qualificação
  • Ambiente e sustentabilidade
  • Mar e território

 

Os programas com maior dotação financeira são:

  • Compete 2030: ~1,3 mil M€
  • Pessoas 2030: ~1,1 mil M€
  • Sustentável 2030: >920 M€

 

Áreas prioritárias de investimento

 

Os concursos previstos abrangem um conjunto diversificado de áreas estratégicas, como:

  • Inovação produtiva
  • I&D nas áreas digital e biotecnológica
  • Infraestruturas e modernização tecnológica
  • Descarbonização e eficiência energética
  • Mobilidade sustentável
  • Gestão da água e proteção de recursos hídricos

 

Montantes a concurso por programa

 

Programa Avisos Montante
Pessoas 2030 28 1.098.712.300€
Compete 2030 16 1.345.935.000€
Sustentável 2030 29 907.469.067€
Mar 2030 16 14.363.598€
Norte 2030 12 40.071.680€
Centro 2030 12 91.355.926€
Lisboa 2030 5 23.315.000€
Alentejo 2030 42 81.103.881€
Algarve 2030 20 45.569.000€
Açores 2030 22 114.350.000€
Madeira 2030 27 87.760.000€
PAT 2030 1 1.500.000€
FAMI 2030 5 17.354.388€

 

Primeiro quadrimestre trará concursos de grande escala

 

De janeiro a abril, destacam-se avisos particularmente relevantes nos programas Compete 2030 e Sustentável 2030, incluindo:

  • STEP – Inovação Produtiva (Energia): 400 M€
  • STEP – I&D&I Empresarial (Energia): 115 M€
  • STEP – Inovação Produtiva (Digital e Biotecnologia): 401 M€
  • STEP – I&D&I Empresarial (Digital e Biotecnologia): 210 M€
  • Avisos para projetos estruturantes de eficiência energética e mobilidade sustentável

 

Só em janeiro, os quatro avisos do Compete 2030 representam mais de 94% do investimento mensal, totalizando 1.115 M€.

 

Um instrumento chave para o planeamento dos beneficiários

 

Até ao final de 2025, o Portugal 2030 já tinha colocado a concurso cerca de 13,5 mil milhões de euros, o equivalente a 64% da dotação global do programa.

 

A atualização regular do Plano Anual de Avisos, realizada de quatro em quatro meses, assegura maior capacidade de planeamento para empresas, entidades públicas e organizações do terceiro setor, fornecendo uma visão clara das oportunidades de financiamento disponíveis nos 12 meses seguintes.

Tabelas IRS: alterações garantem isenção mensal até 920 euros em 2026

Tabelas IRS: alterações garantem isenção mensal até 920 euros em 2026

Já estão disponíveis no Portal das Finanças as novas tabelas de retenção na fonte do IRS para 2026. As alterações garantem isenção total de tributação para rendimentos até 920 euros mensais e reduzem as taxas de retenção para a maioria dos trabalhadores. As empresas devem aplicar as novas tabelas já a partir de janeiro, sendo obrigatória a correção em fevereiro caso não o façam.

 

Principais novidades em 2026

  • Isenção até 920 € brutos mensais para trabalhadores e pensionistas.
  • Redução das taxas de retenção nos escalões intermédios (2.º ao 5.º).
  • Atualização dos limites dos nove escalões em 3,51%.
  • Aumento do mínimo de existência para 12.880 € anuais, reforçando a proteção dos rendimentos mais baixos.

 

Impacto para as empresas com as novas tabelas IRS

Todas as entidades empregadoras, empresas, serviços públicos, autarquias, IPSS, devem aplicar as novas tabelas já em janeiro. Caso não o façam, terão de corrigir os valores em fevereiro, conforme previsto no Código do IRS.

 

Quanto vai ficar a mais no bolso dos trabalhadores?

Com as novas tabelas, a retenção mensal será mais baixa para a maioria dos contribuintes. Exemplos práticos:

  • Salário de 1.000 €: retenção desce de 56 € para 35 €.
  • Salário de 1.200 €: retenção passa de 107 € para 96 € (solteiro sem filhos).
  • Salário de 1.600 €: retenção baixa 13 €, ficando nos 192 €.
  • Salário de 2.500 €: redução de 21 €, para 471 €.
  • Salário de 3.500 €: menos 22 €, ficando nos 857 €.

 

A poupança mensal depende da situação familiar e do número de dependentes, mas a tendência é clara: mais rendimento disponível ao longo do ano.

5 Momentos-chave que marcaram a Europa em 2025

5 Momentos-chave que marcaram a Europa em 2025

Em 2025, a União Europeia manteve-se firme nos seus princípios e prioridades. Num contexto global desafiante, o foco esteve no que realmente importa: aproveitar os pontos fortes do bloco, defender os valores que nos unem e garantir que os cidadãos são apoiados todos os dias. Este compromisso contínuo reflete-se em decisões estratégicas e ações concretas que marcaram o ano e reforçaram a posição da Europa no mundo.

 

1. Economia e Empregos

 

Este ano, a União Europeia trabalhou para transformar a Europa num continente onde pessoas e empresas possam prosperar. Com a nova bússola da competitividade, foi traçado um roteiro ambicioso para impulsionar a economia nos próximos cinco anos. Entre as medidas, destacam-se ações para facilitar a atividade empresarial, reduzindo encargos administrativos para agricultores, lojistas e pequenas empresas. Foram propostos 10 pacotes de simplificação que, quando implementados, irão cortar burocracia no valor estimado de 11,9 mil milhões de euros. Além disso, foi apresentado um Roteiro para Competências de Qualidade, acompanhado de novas propostas nas áreas da educação e da formação. A Europa já tem talento, no entanto o objetivo é garantir que os europeus adquiram as competências necessárias para enfrentar os desafios do futuro.

 

2. Investimento em Inteligência Artificial

Para aproveitar todo o potencial da Inteligência Artificial em benefício das pessoas e da economia europeia, foram lançadas iniciativas estratégicas para posicionar a Europa como um centro global de inovação em IA. Foi assumido o compromisso de investir até 200 mil milhões de euros e definidos planos para criar 19 novas fábricas de IA, destinadas a apoiar startups, a indústria e a comunidade científica. Estas medidas visam acelerar a investigação, fomentar a competitividade e garantir que a Europa lidera na adoção responsável e inovadora da IA.

3. Atração de Talento Científico

 

A Europa oferece carreiras de excelência, liderança científica, qualidade de vida e liberdade académica. Com um financiamento de 500 milhões de euros, foi lançada a iniciativa Choose Europe, criada para atrair investigadores de renome mundial para a União Europeia. Os resultados já são visíveis: em menos de 12 meses, os programas de investigação da UE registaram um número recorde de candidaturas internacionais, reforçando a posição da Europa como polo global de conhecimento e inovação.

 

4. Transição Energética e Sustentabilidade

 

A União Europeia intensificou os esforços para cumprir os seus objetivos climáticos, aprovando uma nova meta ambiciosa: reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em 90% até 2040. Este ano, quase metade da energia consumida na Europa já provém de fontes renováveis. Graças ao Pacto da Indústria Limpa (ou Clean Industrial Deal), existe um plano sólido para acelerar a transição energética e impulsionar as fontes de energia limpa nos próximos anos. A pensar no futuro, foi igualmente lançada a primeira estratégia europeia de preparação, destinada a garantir que todos, cidadãos, empresas e instituições, estejam prontos para enfrentar o inesperado.

 

5. Global Gateway e Energias Renováveis

 

Em 2025, a iniciativa Global Gateway manteve-se como um pilar para fortalecer economias em todo o mundo. Um exemplo foi a campanha «Scaling Up Renewables in Africa», liderada pela UE ao longo de um ano, que mobilizou mais de 15,1 mil milhões de euros para levar energia renovável às famílias africanas. Já no comércio internacional, a Europa concluiu negociações com México, Indonésia e Mercosul, abrindo novas oportunidades para as empresas europeias. Em julho, alcançaram um acordo com os Estados Unidos, e registaram avanços com Índia, Malásia e Emirados Árabes Unidos, aproximando-nos de parcerias que promovem emprego e crescimento sustentável.

 

A União Europeia está a alinhar políticas para acelerar a competitividade, a inovação tecnológica e a transição sustentável. Estas iniciativas não são apenas grandes números ou metas ambiciosas, são sinais claros de que o financiamento europeu está a evoluir para apoiar projetos com impacto real, desde a digitalização e inteligência artificial até à descarbonização industrial e à internacionalização em energia.

 

Para empresas e centros de investigação, isto significa que o momento de agir é agora: compreender estas tendências, antecipar requisitos e preparar projetos que respondam às prioridades europeias. Mais do que captar fundos, trata-se de posicionar-se para liderar a transformação, tecnológica, ambiental e social, que marcará a próxima década.

 

IP BOX e Propriedade Intelectual na Indústria Automóvel em Portugal

IP BOX e Propriedade Intelectual na Indústria Automóvel em Portugal

O setor automóvel europeu, enfrenta desafios sem precedentes ao nível da concorrência de outras geografias, de restrições em termos de normas ambientais, os quais geram impactos negativos na capacidade instalada, e respetivos postos de trabalho, neste que é o pilar europeu industrial na atualidade.

 

Para responder a este paradigma, a Indústria está a desenvolver projetos de I&D sem precedentes, por forma a garantir produtos ambientalmente alinhados com as exigências europeias, mas que confiram custos reduzidos de produção, apesar dos elevados padrões qualitativos que o cliente europeu espera, os quais criam obrigatoriamente, propriedade intelectual associada.

 

A indústria automóvel, sendo um dos pilares da economia portuguesa, não é alheia a este paradigma. Esta representa milhares de empregos e uma fatia significativa das exportações nacionais. Em 2024, o setor atingiu 42,6 mil milhões de euros em faturação e gerou mais de 167 mil postos de trabalho, com 87,6% da produção destinada à exportação. Este setor está em plena transformação, impulsionado pela transição energética, digitalização e novas exigências ambientais, o que coloca a Investigação e Desenvolvimento (I&D) no centro da sua estratégia.

 

A nível nacional, temos, pois, duas áreas distintas, a saber, os 4 fabricantes de veículos (OEM), nomeadamente a Volkswagen Autoeuropa (Palmela), Stellantis (Mangualde), Mitsubishi Fuso (Tramagal), e Toyota Caetano (Ovar), a par de um ecossistema robusto de fornecedores e centros de engenharia, incluindo empresas como Bosch, Volkswagen Digital Solutions, Mercedes, BMW (Critical Techworks), Daimler e Continental. Além disso, existem 53 centros de engenharia dedicados à mobilidade e automação, reforçando a posição do país como hub tecnológico na Europa.

 

A Importância da Propriedade Intelectual (PI)

 

A inovação só gera valor quando está protegida. A Propriedade Intelectual – que inclui patentes, marcas, desenhos industriais e segredos comerciais – é essencial para garantir retorno sobre os investimentos em I&D.

 

Ao nível do contexto específico da Indústria Automóvel em Portugal, o investimento em PI, promove diversas mais valias relevantes: 1) As Patentes protegem o investimento em I&D impedindo a replicação de soluções; 2) Permite-se valorizar os Ativos Intangíveis, robustecendo financeiramente o setor; 3) Promove licenciamento e consequente monetização; 4) Promover a proteção legal na entrada em mercados externos.

 

IP BOX

 

O “IP BOX”, apresenta-se como um regime fiscal aplicável aos rendimentos de direito de autor e direitos de propriedade industrial, e tem como objetivo de estimular o investimento em I&D, através da atribuição de benefícios fiscais que influenciem de forma positiva a criação e desenvolvimento de ativos intangíveis, tais como patentes e outros direitos de propriedade industrial/intelectual.

 

Em termos nacionais, o regime de Patent Box encontra-se balizado no artigo 50.º-A do CIRC, que determina o mesmo como um output tax incentive, ou seja, um incentivo fiscal à exploração de rendimentos provenientes de patentes e outros ativos de propriedade intelectual.

 

O regime “IP BOX”, teve início em 2016 para rendimentos obtidos através da cedência de Patentes, Modelos de Utilidade e Desenhos Industriais.

 

Importa frisar que, em termos de critérios de Elegibilidade, o Patent Box apresenta um conjunto de condições específicas que devem ser acauteladas, e para as quais a consultora deve perfeitamente familiarizada, a saber:

 

  1. O cessionário que utilize os direitos cedidos, deve centrar a sua atividade no contexto de natureza comercial, industrial ou agrícola
  2. Os resultados não se materializem na entrega de bens ou prestações de serviços que originem gastos fiscalmente dedutíveis na entidade cedente ou em sociedade que com esta esteja integrada num grupo de sociedades
  3. Não ser uma entidade residente em país, território ou região com um regime fiscal claramente mais favorável
  4. Dispor de registos contabilísticos que permitam identificar os gastos e perdas incorridos ou suportados para a realização das atividades de investigação e desenvolvimento diretamente imputáveis ao direito objeto de cessão ou utilização temporária.

 

Na FI GROUP, desde 2020 que abordamos a fileira do setor Indústria, com expertise na preparação, implementação e quantificação deste benefício, possibilitando apoiar a competitividade nacional e, paralelamente a criação de propriedade intelectual nacional, valorizando este setor, que é um dos setores com maior pendor exportador e concorrencial.

 

As empresas mais rápidas vão “comer” as lentas

As empresas mais rápidas vão “comer” as lentas

A maior ameaça não é a inteligência artificial. A maior ameaça é a lentidão artificial. São as regras internas, a burocracia e o medo de arriscar que vão tirar relevância às empresas.

Estratégia empresarial global: o que esperar do panorama empresarial em 2026?

Estratégia empresarial global: o que esperar do panorama empresarial em 2026?

À medida em que entramos em 2026, torna-se mais claro que este ano não será apenas mais um marco cronológico no planeamento empresarial. Para muitas organizações, é o momento em que as tendências que se foram acumulando ao longo da última década deixam de ser sinais dispersos e passam a condicionar decisões concretas. O futuro deixou de estar suficientemente distante para permitir adiamentos estratégicos e as escolhas feitas agora, sobre investimento, inovação, localização e modelos operacionais, começarão a produzir efeitos diretos já nos próximos meses.

 

O contexto em que essas escolhas irão ser tomadas é, no entanto, particularmente exigente. A economia global entrou numa fase em que a instabilidade deixou de ser episódica e passou a ser estrutural. As projeções económicas do FMI indicam um crescimento global de cerca de 3,1% para este ano, o que revela um sinal de resiliência económica, apesar dos ventos contrários do comércio internacional e das tensões geopolíticas persistentes. No entanto, assistimos também a uma aceleração tecnológica sem precedentes, à urgência climática e a uma intervenção crescente dos Estados na orientação do investimento, tendências que convergem num mesmo espaço de decisão. Em 2026, as empresas vão deixar de competir apenas com outros players de mercado e passarão a competir dentro de sistemas económicos moldados por políticas industriais, enquadramentos regulatórios e agendas públicas cada vez mais explícitas. A neutralidade estratégica, tal como foi entendida no passado, não é mais uma opção viável.

 

Esta transformação altera profundamente a natureza da estratégia empresarial. Durante muitos anos, foi possível separar com relativa clareza o que era decisão de negócio, do que pertencia ao domínio político ou regulatório. Essa separação está a esbater-se rapidamente. O que se desenha para 2026 é um cenário em que a estratégia, inovação e o financiamento deixam de ser dimensões paralelas e passam a formar um único eixo de competitividade. As empresas que reconhecerem esta interdependência mais cedo estarão mais bem posicionadas para transformar complexidade em vantagem.

 

Um dos sinais mais evidentes desta nova fase é a forma como a economia global se está a reorganizar. As cadeias de valor continuarão a ser internacionais, mas já não obedecerão exclusivamente a critérios de custo e eficiência. Em 2026, as decisões sobre onde produzir, investigar ou escalar serão cada vez mais influenciadas por considerações relacionadas com segurança de abastecimento, resiliência industrial e autonomia tecnológica. E esta tendência não resulta apenas de choques recentes. Reflete uma mudança mais profunda na forma como os Estados e blocos económicos encaram a sua posição num mundo mais fragmentado.

 

Como consequência, assistiremos a uma intensificação de políticas de reindustrialização seletiva e de atração de investimento em setores considerados estratégicos. Energia limpa, tecnologias digitais avançadas, semicondutores, mobilidade inteligente, saúde e materiais críticos continuarão a concentrar uma parte significativa do esforço público, com um foco cada vez maior também na defesa e segurança. De acordo com a Reuters, a procura por equipamentos de produção de semicondutores, por exemplo, deverá crescer 9% este ano, totalizando cerca de $126 mil milhões, numa tendência impulsionada pela crescente procura de aplicações de IA e tecnologias avançadas.

 

Para as empresas, isto significa que a geografia do investimento deixará de ser neutra. A existência (ou ausência) de incentivos e mecanismos de apoio passará a pesar de forma decisiva na análise de viabilidade de muitos projetos. O “onde investir” tornar-se-á tão estratégico como o “em que investir”.

 

Este enquadramento ajuda a compreender por que razão a inovação assumirá um papel ainda mais central em 2026. Não como palavra-chave ou aspiração genérica, mas como resposta prática a um ambiente mais exigente. Inovar será, cada vez mais, a forma de lidar com custos crescentes, pressão regulatória e concorrência global. Ao mesmo tempo, será também mais cara e mais complexa. A transformação digital, a adoção de inteligência artificial, a descarbonização de processos industriais e a modernização de infraestruturas exigem investimentos significativos, muitas vezes com horizontes de retorno incertos.

 

É neste ponto que muitas empresas enfrentam um dilema estratégico recorrente. A necessidade de investir será evidente, mas o risco associado a esses investimentos tenderá a aumentar. O custo do capital continuará pressionado, os investidores tornar-se-ão mais seletivos e as margens de erro serão reduzidas. Em 2026, o desafio não será apenas decidir onde inovar, mas também como tornar essa inovação financeiramente sustentável ao longo do tempo.

 

Esta aceleração do tempo estratégico terá um efeito direto na forma como as decisões são tomadas dentro das organizações. Muitas empresas irão perceber que os seus processos internos de decisão não estão ajustados ao novo ritmo do contexto externo. Projetos que exigem meses de análise ou cadeias de aprovação excessivamente longas tenderão a perder relevância antes mesmo de serem executados. O desafio deixará de ser apenas escolher bem para passar também a ser o de escolher a tempo.

 

Essa pressão será particularmente visível na gestão do investimento. À medida em que o ambiente económico se torna mais competitivo, os recursos disponíveis serão alocados com maior seletividade. Em vez de grandes apostas únicas, muitas organizações caminharão para portefólios de projetos mais diversificados, combinando iniciativas de curto e médio prazo com apostas mais exploratórias. Esta lógica aproxima a gestão da inovação da lógica do investimento financeiro, onde a distribuição de risco se torna parte integrante da estratégia.

 

Neste contexto, a capacidade de reduzir risco sem comprometer ambição ganhará um valor estratégico acrescido. É aqui que os grants e os incentivos fiscais começam a influenciar decisões que, à primeira vista, parecem exclusivamente internas. Quando um projeto pode ser parcialmente financiado através de apoio público ou beneficiado por incentivos fiscais, a equação muda. O risco deixa de recair integralmente sobre a empresa, criando espaço para avançar mais cedo, testar soluções em escala real ou acelerar a transição de pilotos para implementação.

 

Este efeito será particularmente relevante em setores onde o investimento inicial é elevado e o retorno se materializa a médio prazo. Em 2026, muitas empresas industriais, tecnológicas e energéticas irão confrontar-se com decisões que exigem visão de longo prazo num ambiente de curto prazo. A integração inteligente de incentivos não elimina a necessidade de rigor, mas permite alinhar o horizonte financeiro com o horizonte estratégico, tornando viável o que, de outra forma, seria adiado.

 

É precisamente aqui que o papel dos grants e dos incentivos fiscais se afirmará de forma decisiva. O que durante anos foi tratado como um mecanismo de otimização financeira passará a ser reconhecido como uma verdadeira alavanca estratégica. Em vez de surgirem no final do processo, estes instrumentos influenciarão decisões desde a fase de conceção dos projetos. Funcionam como capital não dilutivo, que reduzem a exposição ao risco e permitem elevar o nível de ambição tecnológica e industrial. Em muitos casos, serão o fator que transforma uma intenção estratégica num investimento concreto.

 

Na prática, isto significa que projetos semelhantes poderão ter destinos muito diferentes consoante a capacidade das empresas em estruturar o seu financiamento. Em 2026, duas organizações com a mesma visão tecnológica poderão avançar a velocidades distintas simplesmente porque uma conseguiu integrar incentivos desde o início e a outra não. A vantagem competitiva deixará, assim, de depender apenas da qualidade da ideia ou da execução técnica, passando também pela inteligência com que o projeto é financiado.

 

A Europa continuará a ser um laboratório particularmente relevante desta dinâmica. Programas como o Horizon Europe, o Innovation Fund, e os instrumentos nacionais associados à competitividade e à transição energética irão reforçar o seu foco em impacto, escalabilidade e capacidade de execução. O financiamento público será cada vez menos tolerante a projetos desconectados da realidade industrial. Em contrapartida, premiará empresas capazes de demonstrar visão estratégica, governação sólida e contributo claro para prioridades económicas mais amplas.

 

A inteligência artificial merece uma atenção especial neste contexto. Em 2026, deixará definitivamente de ser encarada como tecnologia emergente e passará a ser tratada como infraestrutura estratégica. Estimativas da Gartner indicam que os gastos globais com IA poderão ultrapassar os $2 biliões em 2026, reforçando a centralidade desta tecnologia nas decisões de investimento empresarial. O seu impacto será transversal às organizações, afetando processos internos, cadeias de valor e modelos de decisão. No entanto, os ganhos reais não resultarão da simples adoção de ferramentas, mas da capacidade de integrar a IA de forma consistente na estratégia e na operação. Tal exigirá investimento em dados, em competências e em reorganização interna – áreas onde os incentivos públicos desempenharão um papel crescente, apoiando projetos de adoção responsável e escalável.

 

Também a questão do talento ganhará maior centralidade. À medida que 2026 se aproxima, torna-se evidente que a escassez de perfis qualificados continuará a ser um dos principais constrangimentos à execução estratégica. Empresas que dependem de competências digitais, científicas ou de engenharia avançada terão de investir de forma deliberada em capacitação. Programas de formação, reskilling e colaboração com universidades e centros tecnológicos ganharão peso, muitas vezes apoiados por mecanismos públicos desenhados para reforçar a base de competências da economia.

 

A sustentabilidade, por sua vez, deixará definitivamente de ser tratada como um tema periférico. Em 2026, estará integrada na lógica económica das empresas. A eficiência energética, a redução de emissões e a gestão de recursos influenciarão custos operacionais, acesso a financiamento e posicionamento competitivo. Regulamentos como o CBAM (Carbon Border Adjustment Mechanism), ou requisitos de reporte mais exigentes irão alterar a rentabilidade relativa de muitos investimentos. Ao mesmo tempo, os incentivos associados à transição verde continuarão a reduzir o tempo de retorno de projetos que, sem apoio, seriam difíceis de justificar. A regulação e o financiamento atuarão, assim, de forma complementar, criando simultaneamente pressão e oportunidade.

 

À medida que este novo ciclo se instaura, tornar-se-á então mais evidente a diferença entre empresas que operam de forma reativa e aquelas que adotam uma abordagem antecipatória. As primeiras ajustam estratégias quando a pressão já se materializou. As segundas trabalham com cenários, observam sinais ainda incipientes e preparam decisões antes de a urgência se instalar. Em 2026, esta diferença será particularmente visível na forma como as empresas lidam com inovação e financiamento. Facto é que as organizações reativas tendem a descobrir oportunidades de apoio tarde demais, quando os projetos já estão definidos e as margens de adaptação são reduzidas. As organizações realmente preparadas desenham os seus planos já com consciência do enquadramento de incentivos, das prioridades públicas e dos ciclos de financiamento. Esta antecipação não é oportunismo como muitas vezes é indevidamente sugerido. É planeamento estratégico num ambiente onde o Estado desempenha um papel ativo na orientação do investimento.

 

Para empresas com presença internacional, esta complexidade será ainda maior. Em diferentes geografias serão apresentados regimes de incentivos distintos, prioridades sectoriais específicas e ritmos de implementação variados. Por isso, em 2026, a decisão sobre onde investir passará a ser uma decisão estratégica integrada, que considera impacto financeiro, enquadramento regulatório e apoio público disponível. A competitividade global dependerá, em parte, da capacidade de comparar estes cenários de forma informada.

 

É neste contexto que a leitura isolada do mercado se revelará insuficiente. A estratégia deverá passar também por compreender políticas públicas, agendas industriais e mecanismos de financiamento. Não para seguir tendências, mas para tomar as decisões mais robustas. E as empresas que conseguirem articular estes planos com clareza estarão melhor posicionadas para crescer de forma sustentada num ambiente exigente.

 

É precisamente neste espaço que o papel de parceiros especializados se torna crítico. Integrar inovação, estratégia e financiamento exige conhecimento profundo dos instrumentos existentes, capacidade de antecipação e experiência na estruturação de projetos robustos. A FI GROUP atua nesta intersecção, apoiando empresas na transformação de políticas públicas em decisões estratégicas concretas. O papel da FI GROUP já não passa apenas por ajudar a captar financiamento, sendo cada vez mais estratégico no suporte às tomadas de decisão das organizações (empresariais ou não empresariais), para que consigam pensar melhor, decidir com mais informação e executar com menor risco.

 

Com a entrada em 2026, ficará cada vez mais claro que a diferença entre empresas líderes e empresas que ficam para trás estará na forma como as suas ambições são financiadas e executadas. A convergência entre estratégia, inovação e incentivos públicos será, assim, um dos principais determinantes da competitividade global no novo ciclo económico.

 

A questão que se coloca às lideranças empresariais agora é se se podem permitir-se adiar este alinhamento. Num contexto em rápida transformação, a vantagem pertencerá a quem souber antecipar, estruturar e agir.

 

É nesse caminho que a FI GROUP continuará a posicionar-se, apoiando empresas a entrar em 2026 com clareza estratégica, solidez financeira e capacidade real de transformar planos em impacto.

 

Daniela Branco, Business Innovation an Ecosystem Manager

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